guiiilhermecabralHá precisamente seis anos abrimos as portas da VVV pela primeira vez. Esperançosos mas ao mesmo tempo sem certezas do que aí vinha. Estávamos em pleno COVID. Poucos meses depois somos obrigados a fechar portas e voltam a fechar-nos em casa. O medo quase nos levou. Mas vencemo-lo. Conseguimos.
Seis anos depois estamos aqui. Com a família mais numerosa. Com novos sonhos para correr atrás. Com a consciência e gratidão por sabermos que tudo aquilo que fazemos só se torna real.. porque desse lado estão todos vocês.
Obrigado por caminharem junto a nós.
Vamos por mais!
Com carinho,
Guilherme e David
guiiilhermecabralPortugal caiu.
E a imagem que fica não é um remate, um corte ou um apito final. É a de um homem de 41 anos, em lágrimas, a perceber que o sonho de conquistar um Mundial acabou ali.
E com ele, talvez nunca mais voltemos a ver estádios pintados de vermelho e verde em qualquer canto do planeta como vimos durante estes anos. A Seleção voltará a ser “apenas” de todos os portugueses. Mas dificilmente voltará a ser do mundo inteiro.
Hoje, porém, não é dia para falar apenas de despedidas.
Portugal caiu. E caiu com justiça.
Porque do outro lado esteve uma Espanha que quis mais. Que teve mais coragem. Que assumiu o jogo. Que procurou a vitória desde o primeiro minuto. Não fosse Diogo Costa e o resultado teria sido bem pior do que aquilo que foi.
E é isso que mais custa aceitar.
Não é perder.
É sentir que podíamos ter feito muito mais. Que tínhamos jogadores para fazer muito mais.
Esta Espanha era acessível. Este Mundial estava em aberto. Esta geração tinha tudo para chegar mais longe. Tinha, até, a obrigação de o fazer.
A única boa notícia desta noite é que esta eliminação tem de obrigar, finalmente, a mudar. Porque desperdiçar uma geração dourada (Bélgica) já era demasiado. Desperdiçar duas é imperdoável.
Quanto a nós… ninguém exige ganhar sempre.
Mas uma Seleção como Portugal nunca pode sair de um Mundial com a sensação de que deixou mais por fazer do que fez em campo.
Até nunca mais, Roberto.
Assume também tu a responsabilidade, Proença.
Exigimos mais.
guiiilhermecabralFicou a faltar tão pouco.
Tão pouco que, durante alguns minutos, o mundo inteiro acreditou que era possível.
Há poucas semanas, Cabo Verde era apenas mais uma seleção que se estreava num Mundial. Hoje, é uma equipa que ninguém queria ver partir. O Vozinha que deixou de ser apenas um guarda-redes. Transformou-se no rosto de uma caminhada que atravessou fronteiras. E, sem que ninguém desse por isso, milhões de pessoas começaram a torcer por um pequeno arquipélago perdido no Atlântico.
Quanto vale, afinal, a vontade infinita de um grupo de sonhadores?
O suficiente para fazer o mundo inteiro acreditar que o impossível podia mesmo acontecer.
Hoje, durante largos minutos, o futebol parou para fazer uma pergunta. E se… E se a Argentina tivesse mesmo caído? E se Cabo Verde escrevesse a maior história de sempre dos Mundiais? E se o impossível deixasse, finalmente, de o ser?
Porque isto podia mesmo ter acontecido. E é isso que me leva a escrever sobre eles.
Esteve ali. À distância de um momento. De um detalhe. De um último suspiro.
Mas o apito final levou apenas o resultado. Porque a caminhada… essa ninguém a apaga.
Fica o Vozinha e a sua ascensão planetária. A vida dele nunca mais será a mesma. Fica o melhor golo deste Mundial. Sidny Cabral. Fica um povo que fez o mundo apaixonar-se por cada um deles e pela sua história.
E fica a maior conquista de todas.
Durante algumas semanas, Cabo Verde deixou de ser um pequeno país. Passou a ser a seleção de milhões de pessoas.
E isso… nenhum prolongamento consegue levar.
Parabéns, Tubarões! 💙