Ricardo Araújo Pereira esclarece porque não convida André Ventura para o seu programa
Ricardo Araújo Pereira explicou na SIC Notícias por que razão André Ventura nunca foi convidado para "Isto é Gozar com Quem Trabalha" — e aproveitou para fazer uma crítica à frequência com que os jornalistas entrevistam o líder do Chega.

Ricardo Araújo Pereira esteve na rubrica "Facto Político", da SIC Notícias, e foi confrontado com uma questão que muita gente já tinha levantado: por que razão André Ventura nunca foi convidado para o programa "Isto é Gozar com Quem Trabalha", da SIC?
A pergunta foi colocada pelo jornalista Diogo Teixeira Pereira: "Apoiar o Chega vai continuar a ser impeditivo de receber um convite para o 'Isto é Gozar com Quem Trabalha'?". A resposta do humorista foi imediata — e veio acompanhada de um argumento que virou a questão do avesso.
O problema não é o convite, é o excesso
Ricardo Araújo Pereira foi direto: apoiar o Chega nunca foi critério de exclusão. "Jaime Nogueira Pinto apoia o Chega e foi convidado do programa", recordou. A questão de Ventura é outra, e o apresentador não poupou nas palavras para a explicar.
"Não posso deixar de achar interessante que a nossa sociedade se preocupe mais com o facto de eu não convidar o André Ventura para um programa de entretenimento do que com o facto de os jornalistas estarem constantemente a convidar André Ventura", disse. Para ilustrar, deu o exemplo do canal Now: "Entrevistou André Ventura na segunda-feira da semana passada e na quinta-feira desta semana. Neste momento, o ritmo é de uma entrevista por semana."
E foi ainda mais longe: "Quinta-feira, o André Ventura foi entrevistado e, na sexta-feira, Pedro Pinto, o líder da bancada parlamentar do Chega, foi entrevistado no mesmo canal, não fosse o Ventura ter deixado uma ponta solta na véspera." A conclusão foi certeira: "Olhamos para a lista de pessoas que são mais vezes convidadas para espaços jornalísticos e, nos primeiros lugares, não estão o Presidente da República ou o Primeiro-Ministro. Não, não. Está sempre André Ventura."
Há um ponto que Araújo Pereira reconhece como legítimo: os jornalistas formulam convites a todos os líderes políticos, e muitos não aceitam. Mas, como sublinhou, "o facto de um aceitar sempre não significa, provavelmente, que deva ser sempre convidado." Para rematar com ironia: "No outro dia, André Ventura despediu-se de uma entrevista e disse: 'Até...'. Fez uma pausa e disse: 'Até à próxima'. Eu acho que ele iria dizer até amanhã. Ia com o balanço de dizer: 'Já sei que amanhã vou cá estar outra vez'."
E o próprio programa, satura de Chega?
O jornalista não deixou passar a oportunidade de devolver a crítica: se Araújo Pereira estranha a frequência de Ventura nos jornalismo, não acontece o mesmo no seu programa, onde o Chega é satirizado com regularidade? O apresentador rejeitou a equiparação.
"A frequência com que os elementos do Chega ou o partido Chega são satirizados no nosso programa é muito inflacionada por uma espécie de impressão", respondeu, propondo até uma verificação concreta: "Vou ver os guiões, posso disponibilizá-los, e desafio a encontrarem um enfoque especial no Chega."
A explicação para a perceção contrária? Segundo Araújo Pereira, é simples: "Sempre que falamos no Chega, o Chega faz uma choradeira bastante conspícua. A questão é que os outros políticos têm o bom senso de dizer: 'Olha, calhou-me a mim esta semana'." E terminou com uma observação que, dita com a serenidade de quem sabe bem o que está a fazer, funciona quase como justificação de princípio: "Há partidos que têm uma índole, digamos, mais espalhafatosa do que outros. Por isso, é normal que isso esteja mais sob a lupa de humoristas, que tenham uma inclinação especial para o bizarro, do que outros partidos."
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