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Entretenimento28 Sep 2026·5 min. de leitura·Atualizado a 29 de setembro de 2026

Lembra-se de Joana Cipriano? 22 anos depois a mãe quebra o silêncio

Vinte e dois anos depois do desaparecimento de Joana Cipriano, a mãe Leonor falou à SIC e apontou o dedo ao irmão João, insinuando que a criança poderá ter sido vendida.

Pedro Davide
Pedro DavideFundador & Editor
Lembra-se de Joana Cipriano? 22 anos depois a mãe quebra o silêncio
Créditos: Instagram

O caso que nunca saiu da memória de Portugal

Era 12 de setembro de 2004 quando Joana Cipriano, de oito anos, saiu de casa na aldeia da Figueira, em Portimão, com 10 euros no bolso para ir à pastelaria. Nunca mais regressou. Duas décadas depois, o caso continua sem resposta definitiva — o corpo nunca foi encontrado —, mas a mãe decidiu, finalmente, falar.

Em entrevista à SIC, Leonor Cipriano, hoje com 54 anos, quebrou anos de silêncio e apontou o dedo diretamente ao irmão, João Cipriano. Ambos foram condenados por homicídio e ocultação de cadáver, apesar de Leonor ter alegado sempre a sua inocência ao longo de todo o processo.

Leonor recordou o momento em que João saiu a seguir à menina, estranhando a atitude do irmão pelo facto de este não ter dinheiro para ir ao café. Quando ele regressou, ela questionou-o sobre a sobrinha: "Então, João, viste a menina?". A resposta foi curta e definitiva: "Não, a menina não está aqui."

Questionada sobre por que não foi imediatamente à procura da filha, Leonor explicou: "Não fui logo atrás porque tinha a comida ao lume, depois é que fui ao café à procura e ela já não apareceu." Uma justificação que, durante anos, alimentou as suspeitas das autoridades sobre o seu envolvimento.

Agora, a narrativa de Leonor vai mais longe. Acredita que o irmão poderá ter vendido a criança: "Já me disseram certas pessoas que ele a vendeu." Do outro lado, João Cipriano apresenta uma versão diametralmente oposta, alegando que terá sido a própria irmã a vender Joana por 50 mil euros.

A dor de uma mãe — culpada ou inocente?

Na mesma entrevista, Leonor negou com veemência qualquer historial de maus-tratos à filha: "Mentira. Nunca. Chapadas? Porrada? Nunca. Agora que punha de castigo, punha. Mas bater não batia. Em nenhum."

O peso destes anos faz-se sentir nas suas palavras, sobretudo quando fala do pai, que morreu sem saber a verdade: "É um grande sofrimento aquilo que fizeram comigo. Comigo e com a minha família. Com a minha mãe, com o meu pai que já faleceu e foi para baixo da terra pensando que fui eu quem fez mal à neta."

Joana Cipriano teria hoje 30 anos. O paradeiro do corpo continua desconhecido, a verdade por apurar — e dois irmãos que, mais de duas décadas depois, continuam a apontar um ao outro.

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