Morreu o dono do Elefante Branco
Luís Torres, proprietário do clube noturno Elefante Branco, morreu a 5 de maio num hospital de Lisboa. Tinha 63 anos e estava acusado de lenocínio, tráfico de pessoas e branqueamento de capitais.

Luís Torres, o empresário por detrás do clube noturno Elefante Branco, morreu esta segunda-feira, 5 de outubro, num hospital de Lisboa. Tinha 63 anos e sofria de cancro do pulmão em estado avançado, com metástases noutros órgãos.
O estado de saúde tinha-se deteriorado de forma acelerada nas últimas semanas. Em setembro, sofreu convulsões que obrigaram a um internamento de urgência, ficando com prognóstico muito reservado. Antes disso, em abril, tinha sido transferido para o Hospital-Prisão de Caxias para receber acompanhamento médico continuado.
Um processo judicial que não chegou a julgamento
A morte de Luís Torres acontece antes de o empresário ter sido chamado a julgamento no processo em que figurava como principal arguido. O Ministério Público acusava-o de crimes de lenocínio, tráfico de pessoas para fins de exploração sexual e branqueamento de capitais, entre outros crimes imputados aos 12 arguidos do processo.
Segundo a acusação, mais de 500 mulheres terão sido vítimas de exploração sexual entre 2019 e 2025, não apenas no Elefante Branco, mas também noutros espaços associados ao negócio, entre os quais a pensão Classe A. O Ministério Público descreve ainda uma estrutura que terá movimentado mais de 22 milhões de euros através das sociedades controladas por Luís Torres durante aquele período.
Escutas, futebolistas e prisão preventiva
Entre os elementos recolhidos pela investigação estão escutas telefónicas que descrevem o funcionamento do espaço e os contactos entre Luís Torres e alguns clientes. De acordo com a acusação, entre os frequentadores contavam-se futebolistas, empresários e elementos das forças policiais. As escutas terão revelado pedidos para escolher mulheres de acordo com determinadas características físicas e para fazer reservas com antecedência.
Luís Torres tinha sido colocado em prisão preventiva em julho de 2025, mas acabou por ser libertado em julho de 2026, depois de a medida de coação ter ultrapassado o prazo máximo legal. Continuava, ainda assim, a ser um dos principais arguidos do processo quando o seu estado de saúde se agravou de forma irreversível.
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