Ana Garcia Martins explica afastamento das redes sociais
A Pipoca Mais Doce abriu o coração sobre o afastamento das redes sociais depois do fim da relação com Diogo Orvalho, admitindo tristeza e "desesperança".

Desde que se soube do fim da relação de cinco anos com Diogo Orvalho, Ana Garcia Martins tinha estado praticamente desaparecida das redes sociais. Esta sexta-feira, dia 2 de outubro, A Pipoca Mais Doce quebrou o silêncio com um texto longo e invulgarmente íntimo — invulgar, pelo menos, para quem a conhece pelo humor certeiro com que habitualmente nos brinda.
Logo a abrir, a própria reconheceu o que o terapeuta lhe diz há algum tempo: "O meu terapeuta diz que sou unidimensional. Que uso o humor para tudo o que faço e que isso impede que percebam que tenho outras camadas. É capaz." A confissão serve de mote para o que se segue — uma reflexão honesta sobre porque o humor tanto protege como esconde. "O humor é segurança, é fuga, é salvação, é conforto e sobrevivência. Sempre foi. Foram muito poucas, raras mesmo, as vezes em que ofereci vulnerabilidade por aqui. Porque não sou assim, porque não quero que isso seja visto como aproveitamento, menos ainda que vire tema para especulação e achismos", escreveu.
"Há tristeza, se calhar até mais desesperança do que tristeza"
A blogueira e comentadora, uma das vozes mais reconhecidas da internet portuguesa, não fugiu ao que a tem mantido longe dos ecrãs. Pelo contrário, foi direta: "Mas sabe Deus os sítios por onde a minha alma já andou, os buracos onde já tiveram de ir buscar-me, e eu continuava só a aparecer aqui, de cara alegre. Um minuto a fingir alegria para depois, se calhar, passar o resto do dia no escuro. Agora não me tem apetecido fazer isso. Há tristeza, se calhar até mais desesperança do que tristeza, e quero vivê-la exactamente como a sinto. E é por isso que me têm visto tão pouco. Se é para brincar ao está tudo bem, não contem comigo."
Há qualquer coisa de refrescante nesta recusa ao desempenho da felicidade — especialmente vinda de alguém cujo trabalho existe, em grande parte, nas redes sociais. Não fingir que está tudo bem, quando não está, é uma posição que poucas figuras públicas têm a coragem de assumir com tanta clareza.
O regresso, ao ritmo que for
Ainda assim, Ana Garcia Martins deixou claro que o tempo está a fazer o seu trabalho. Com a irreverência que lhe é característica, escreveu: "E a cada 60 segundos, sinto-me um bocadinho mais perto da Ana que tem vontade de gozar com os cartazes parolos de apoio ao Cristiano Ronaldo, do que da Ana que pode ficar duas horas a olhar para o tecto só a repassar o que a vida tem de menos bom."
Agradeceu também às mensagens de quem a tem acompanhado à distância: "Todos os dias recebo mensagens vossas, preocupadas, e sou grata por isso. Não me falta companhia e quem me obrigue a arrastar para fora do sofá, mas a preocupação de quem só me conhece daqui dá assim um quentinho diferente."
O texto termina com uma promessa — sem data, sem pressas: "Tal como nas peregrinações, o caminho faz-se caminhando, e eu juro que estou a caminhar. A um ritmo quase tão vergonhoso como aquele a que corro, mas estou a caminhar. E a ver que, no meio do caos, há flores. E cores. Para já, tenho muito pouco para oferecer, mas não tarda estou de volta."
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