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Música2 Sep 2026·5 min. de leitura·Atualizado a 3 de setembro de 2026

Salvador Sobral regressa ao Spotify e confessa: "preciso de vender bilhetes"

Salvador Sobral anuncia o regresso dos seus álbuns ao Spotify depois de os ter retirado em fevereiro, admitindo que a plataforma é "um Golias demasiado forte para enfrentar sozinho".

Pedro Davide
Pedro DavideFundador & Editor
Salvador Sobral regressa ao Spotify e confessa: "preciso de vender bilhetes"
Créditos: Instagram

Poucos meses depois de ter retirado toda a sua música do Spotify, Salvador Sobral anuncia a rendição — mas não sem dizer exatamente o que pensa. Num vídeo partilhado hoje nas suas contas oficiais nas redes sociais, o músico assumiu que vai voltar à plataforma, com os princípios intactos e a pragmática bem clara: "Vou regressar ao Spotify. Tenho recebido muitas mensagens, todos os dias, mensagens de pessoas com pena de não poder ouvir a minha música. Eu preciso de chegar às pessoas, e infelizmente o Spotify ainda monopoliza completamente a indústria da escuta de música. Eu tenho que vender bilhetes [para concertos]. Pronto, esta é a minha vida."

O regresso não significa mudança de opinião. Salvador Sobral é explícito: "Não muda nada, não mudou nada. Continuarei a fazer boicote, obviamente, enquanto utilizador. Utilizarei o Qobuz, de que tanto gosto. Mas a minha música regressará ao Spotify." E fechou com a imagem que resume tudo: "É assim, rabinho entre as pernas, bola para a frente e voltamos para o Spotify."

Uma batalha que tentou travar sozinho

Em fevereiro deste ano, Salvador Sobral retirou todos os álbuns do Spotify, descrevendo-o como "a plataforma de 'streaming' que paga pior aos autores" e que promove música criada por inteligência artificial. Sabia que a decisão podia custar-lhe caro — ele próprio admitiu, na altura, em entrevista à Lusa, que poderia ser "um tiro no pé" na carreira, dado que "noventa e muito por cento" dos seus ouvintes estão naquela plataforma. Ainda assim, avançou. "Mas eu prefiro um tiro no pé da minha carreira do que um tiro na cabeça de uma pessoa indiretamente ligado à minha música", disse na altura.

Agora reconhece que a aposta num boicote coletivo não correu como esperava. "Pensei utopicamente que conseguia apelar a ser um boicote coletivo de colegas, músicos, público. Mas fui com tudo e quando olhei para trás não havia ninguém", disse, sublinhando que as suas razões "continuam as mesmas". Deu-lhe o nome certo: "um Golias demasiado forte para enfrentar sozinho."

As razões que não desaparecem com o regresso

Por detrás da saída em fevereiro estavam duas críticas concretas ao Spotify. A primeira, a remuneração dos artistas: "Estamos a falar de 0,003 cêntimos [por audição], que é absolutamente ridículo. Mas nós jogámos esse jogo da tirania e ninguém fala e estávamos todos no Spotify contentes de anunciar o nosso 'wrapped', mas foram-se acumulando coisas."

A segunda razão foi o investimento do diretor executivo e cofundador da plataforma, Daniel Ek, na empresa europeia de inteligência artificial de defesa Helsing — o que, para Salvador Sobral, faz com que a música na plataforma esteja "a financiar o negócio da morte". "Eu não quero estar associado a isso", disse na altura. Nada disso mudou. O que mudou foi o cálculo de quem vive de fazer música e de encher salas.

Quanto ao novo trabalho, o single "A flor do recomeço", de avanço do álbum com o mesmo nome cuja edição está marcada para outubro, "também estará no Spotify", confirmou. O disco completo também.

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