Depois do incêndio em 2025, o festival Tomorrowland está de volta este ano
O Tomorrowland regressa a Boom, na Bélgica, com seis artistas portugueses, medidas de segurança reforçadas e os bilhetes já esgotados há meses.

O Tomorrowland está de volta. Um ano depois do incêndio que, em julho de 2025, destruiu grande parte da estrutura do palco principal a poucos dias da abertura, o festival de música eletrónica arranca esta sexta-feira em Boom, na Bélgica, na sua 21.ª edição. Os bilhetes esgotaram há vários meses.
O tema desta edição é "Consciência", e o festival estende-se por dois fins de semana: de 17 a 19 e de 24 a 26 de julho, no recinto de De Schorre. Ao longo dos dois fins de semana, a organização espera cerca de 200 mil visitantes por fim de semana, provenientes de mais de 200 países.
Seis emoções, 16 palcos e uma das maiores presenças portuguesas de sempre
A edição de 2026 explora seis emoções — maravilha, amor, raiva, alegria, desejo e tristeza — através da cenografia, dos 16 palcos e de várias experiências imersivas espalhadas pelo recinto. A porta-voz do festival, Debby Wilmsen, explicou à Lusa a filosofia por detrás da escolha: "O Tomorrowland sempre foi sobre união. Ir a um festival é criar ligações e só conseguimos criar ligações quando existem emoções envolvidas."
Portugal marca presença com seis artistas e projetos nacionais: Diego Miranda, BIIA, ØTTA, Xinobi, Danni Gato e MXGPU. É uma das maiores participações portuguesas de sempre no festival. Diego Miranda soma a sua décima atuação desde a estreia em 2015, consolidando o estatuto de artista português com maior historial no evento. Já BIIA, ØTTA e o duo MXGPU estreiam-se no Tomorrowland. A presença do público de língua portuguesa também continua a crescer — e Debby Wilmsen não deixou de o notar: "É um público muito interessante. Temos muitos brasileiros, o que é natural porque também organizamos um festival no Brasil."
Segurança reforçada após o incêndio de 2025
O regresso do festival não apaga a memória do que aconteceu no ano passado. O incêndio de julho de 2025 destruiu grande parte da estrutura do palco principal, e embora o evento tivesse acabado por decorrer com um palco alternativo, o incidente deixou marca. A investigação às causas continua, sendo a hipótese principal uma falha humana. A organização reforçou os planos de segurança e a vigilância de materiais inflamáveis.
Este ano, as preocupações estendem-se também ao calor. Devido às elevadas temperaturas registadas na Bélgica, as autoridades determinaram que não haverá espetáculo de fogo-de-artifício durante o primeiro fim de semana. Foi ativado o plano para situações de calor, com mais zonas de sombra, áreas de nebulização e pontos de água potável distribuídos pelo recinto. "A segurança dos visitantes, equipas, artistas e residentes locais é sempre a principal prioridade", sublinhou Debby Wilmsen. A organização garante que continuará a acompanhar a evolução das condições meteorológicas em articulação com as autoridades e os serviços de emergência.
Criado em 2005 pelos irmãos belgas Manu e Michiel Beers, o Tomorrowland tornou-se uma referência mundial da música eletrónica. Depois da interrupção forçada pela pandemia em 2020 e 2021, o festival regressou e não mais parou — mesmo quando as chamas tentaram fazer o contrário.






