Joana Marques quebra o silêncio na polémica com Mafalda Matos
Joana Marques saiu a público para responder às críticas após um episódio da rubrica "Extremamente Desagradável" dedicado a Mafalda Matos gerar uma onda de polémica nas redes sociais.

A polémica entre Joana Marques e Mafalda Matos não deu sinais de se dissipar — e a humorista decidiu finalmente falar. Tudo começou com um episódio da rubrica "Extremamente Desagradável", inserida no programa "As Três da Manhã" da Rádio Renascença, que Joana Marques conduz com Ana Galvão e Inês Lopes Gonçalves. O episódio em causa era dedicado a Mafalda Matos e ao diagnóstico de autismo de que a atriz diz ter sido diagnosticada. A reação de Matos não tardou: a atriz gravou um vídeo para o Instagram em que surge a chorar.
Foi no podcast "O que fazer quando tudo arde", do jornal Público, que Joana Marques resolveu responder às acusações de estar a gozar com pessoas autistas. A comediante começou por explicar por que razão costuma ficar em silêncio nestas situações: "Não tenho por hábito responder, porque, senão, seria um trabalho sem fim. Felizmente, não acontece sempre nesta escala tão grande, mas acontece todas as semanas haver uma minipolémica com alguém que se sente muito ofendido com alguma coisa. Portanto, acho que, se começasse a responder, abriria um precedente e, depois, não conseguiria sair disso. Não faria mais nada. Teria de cancelar o podcast, porque não faria mais nada que não responder às pessoas e sobretudo, no fundo, tentar chamá-las à razão."
A questão da literalidade
Para Joana Marques, o problema está na forma como o episódio foi interpretado. Reconhecendo que as pessoas "não têm de concordar" com ela, a humorista disse querer "tentar fazê-las ver que, gostando ou não do que foi dito, nunca houve um gozo com o autismo". E foi mais longe: "Ou seja, acho que é uma interpretação demasiado literal e é um problema com o qual me confronto várias vezes. Mesmo no caso dos Anjos, uma das coisas que eles diziam era 'Não posso permitir que os meus filhos vão para a escola e lhes digam que o pai é um assassino porque assassinou uma canção'. Acho que isto é o expoente máximo da literalidade e de como nós todos estamos a perder um bocadinho a capacidade de perceber coisas como a ironia."
A comediante admitiu também que muita gente reagiu sem ter ouvido o episódio na íntegra — e disse identificar-se com esse comportamento: "Também percebo que, hoje em dia, dá trabalho despender 15 minutos. Eu própria sou vítima disso. Muitas vezes, não tenho paciência para ler tudo e fico-me por títulos. E também me arrependo, porque, muitas vezes, passamos ao lado da verdadeira questão."
O que estava realmente em causa na sátira
Joana Marques foi clara sobre qual era o verdadeiro alvo do episódio: "Acho que, ouvindo, facilmente se percebe que, no fundo, ali o alvo da sátira era, como é muitas vezes naquilo que faço, a exposição de uma questão. Neste caso, a questão era aquilo que me pareceu ser um autodiagnóstico - mas até pode não ser. Um diagnóstico, seja ele qual for, de autismo, neurodivergência, PHDA... O que eu estava a analisar era como aquela pessoa em concreto se define. Até põe como a sua biografia de Instagram autista, como se essa fosse a sua única característica."
O que lhe deu vontade de rir, explicou, foi o exagero das publicações: "Respeito quem não ache engraçado, porque isso vai sempre acontecer, mas deu-me vontade de rir a ideia de 'vou jogar às cartas com os meus amigos neurodivergentes'. Uma espécie de clube e quase uma guetização das pessoas neurodivergentes. Acho que é o contrário do que pretendemos. É quase como se um neurodivergente só pudesse dar-se com outro. O exagero de todas as publicações daquela pessoa... De repente, quase ter tido a sua personalidade capturada pelo autismo e dizer 'Tenho aqui o meu namorado. Somos os dois superautistas'... Esse exagero é que me deu vontade de rir e acreditei que poderia dar a algumas outras pessoas."
Sobre a divisão de opiniões, a autora de "Extremamente Desagradável" foi direta: "Se calhar, 50% achou graça e 50% achou deplorável." Ainda assim, não deixou de apontar que, dos que acharam deplorável, "alguns não terão ouvido, estão a extrapolar uma questão e não estão completamente a par dela", acrescentando: "Outros, devem ter ouvido e acharam que disse coisas intoleráveis. Também respeito isso."
Para terminar, Joana Marques observou que Mafalda Matos "tornou o autismo na sua bandeira", parecendo-lhe "quase a embaixadora da neurodivergência". E, com a frontalidade que a caracteriza, assumiu que achou graça ao início do vídeo em que a atriz reagiu ao episódio.
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