Cláudio Ramos já fala sobre a reforma
O apresentador do Dois às 10 diz estar numa "espécie de pré-reforma" e explica como chegou aos 53 anos com a liberdade de poder escolher — ou recusar — trabalho.

Cláudio Ramos continua a aparecer no Dois às 10 com energia, mas a relação que tem com o trabalho hoje é muito diferente daquela que tinha há alguns anos. Na apresentação da grelha da TVI, o apresentador foi surpreendentemente direto sobre o momento que atravessa — e sobre o que já não está disposto a tolerar.
"Para mim, é sempre diferente e eu ainda vou com muita vontade de fazer aquele programa", afirmou. A frescura que ainda sente em relação ao formato tem uma explicação simples: "Os convidados são diferentes, as histórias são diferentes, a reação das pessoas é diferente, a internet reage de forma diferente, o espectador reage de forma diferente." A estrutura mantém-se, mas cada emissão tem vida própria — e é isso que o mantém ligado.
O esgotamento que o fez parar
Nem sempre foi assim. Cláudio Ramos recorda períodos de acumulação de projetos que o levaram à exaustão. Houve uma altura em que precisava de "descanso, tranquilidade" e de "sair de cena" para recuperar a vontade de voltar. A conjugação de um reality show com o programa da manhã foi, por palavras suas, exigente demais.
Hoje o retrato é outro. "Estou super tranquilo a fazer o programa da manhã, com tempo para ler, escrever, ir ao teatro, descansar, jantar fora, fazer isso tudo", conta. É neste contexto que surge uma declaração que dificilmente passaria despercebida: "Posso dizer que estou numa espécie de pré-reforma. O bom para nós, quando eu falo em reforma, é esta coisa de, que era o que todos devíamos ter, chegarmos a determinada idade e pensar assim, se eu não quiser, não vou. Porque já nos permitimos fazer isto. Não é porque nós queremos, é porque financeiramente já não dependemos. Não quero parecer arrogante quando digo isto, mas é bom este sentimento de podermos decidir."
"Há uma altura em que já não é o dinheiro que conta"
Aos 53 anos, o apresentador explica que sempre teve um objetivo claro: chegar aos 50 com a liberdade de poder parar, se assim o entendesse. Conseguiu. Agora, quer "tirar o pé do acelerador" — sem que isso signifique desaparecer. "Eu vou sempre escrever, vou sempre inventar alguma coisa para fazer", garante. Mesmo que a televisão acabasse amanhã.
O que já não quer é a obrigação de aceitar tudo o que aparece. "Há uma altura em que já não é o dinheiro que conta", diz, defendendo que o mais importante é conseguir fazer as coisas com alegria — e recusar aquilo com que já não se identifica. Essa liberdade estende-se também à vida fora dos estúdios: tem casa no Alentejo e passa lá muito tempo. "O que é bom é que estou a uma hora e meia de Lisboa… não estamos num Alentejo isolado", acrescenta.
A reforma definitiva, essa, não está nos planos. "Não me imagino na reforma, sentado sem fazer nada, aos 80 anos", confessa. Quem o conhece do ecrã dificilmente duvidaria.
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