Já são conhecidos os detalhes das cerimónias fúnebres de Luís Represas
O velório de Luís Represas realiza-se na quinta-feira, dia 23, na Basílica da Estrela, em Lisboa, aberto ao público entre as 16h00 e as 22h30. O funeral está marcado para sexta-feira, dia 24, reservado à família.

A agência Lusa avança com os detalhes das cerimónias fúnebres de Luís Represas, o músico que morreu esta quarta-feira, dia 22, aos 69 anos, em consequência de uma doença prolongada — precisamente quando assinalava 50 anos de carreira.
O velório está marcado para quinta-feira, dia 23, na Basílica da Estrela, em Lisboa, e será público entre as 16h00 e as 22h30. O funeral realiza-se na sexta-feira, dia 24, após uma cerimónia religiosa às 15h00 naquela basílica, sendo reservado à família.
Uma carreira de cinco décadas entre os Trovante e a identidade portuguesa
Nascido em Lisboa, em 1956, Luís Represas foi um dos fundadores dos Trovante, em 1976. O grupo, profundamente enraizado na música tradicional portuguesa, permaneceu ativo até aos anos 1990 e deixou álbuns como "Baile no Bosque" (1981) e "Cais das Colinas" (1983). Ao longo dos anos seguintes, os músicos seguiram percursos a solo, mas voltaram a reunir-se para concertos esporádicos — em 1999, em 2006, em 2017 e em março passado, com atuações esgotadas em Lisboa e no Porto.
A carreira a solo começou em 1993, com o álbum "Represas", gravado em Cuba durante uma viagem que viria a moldar o disco. Dele fazem parte temas como "Fora de Tempo", "Neva sobre a marginal" e "Feiticeira". O álbum mais recente, "Miragem", é de 2024.
Timor, condecorações e uma agenda que já não vai acontecer
Parte incontornável da história de Luís Represas é o apoio à independência de Timor-Leste. A canção "Timor" — com música de João Gil e letra de João Monge, originalmente no álbum dos Trovante "Um destes dias" (1990) — voltou a juntar o grupo em 1999 e tornou-se num dos principais hinos da luta pela independência timorense. A letra foi mais tarde traduzida para tetum pelo próprio Xanana Gusmão.
O então Presidente da República Portuguesa Jorge Sampaio convidou Represas para o acompanhar na visita oficial a Timor-Leste, em 2000. Em 2016, recebeu a Medalha da Ordem de Timor-Leste, atribuída pelo Presidente Taur Matan Ruak. Em 2005, o Estado Português tinha-o já distinguido com a Ordem de Mérito — grau de Comendador.
Ao longo da carreira, colaborou com nomes como Fausto Bordalo Dias, José Afonso, Carlos do Carmo, Bernardo Sassetti, Pablo Milanés, Ivan Lins, Martinho da Vila, Simone, Jorge Palma, Phil Collins, Compay Segundo, Gilberto Gil e Carlinhos Brown. Tinha dois concertos nos coliseus de Lisboa e do Porto agendados para abril de 2027, para assinalar os 50 anos de carreira — concertos que já não vão acontecer.
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