Viajantes visitam monumentos só para as redes sociais
Estudo da TUI Musement revela que 39% dos viajantes já visitaram um ponto turístico sobretudo para fotografar, e que o TikTok já lidera a inspiração de viagem entre os mais jovens.

As redes sociais já não servem só para mostrar as férias depois de acabarem. Cada vez mais, são elas que escolhem o destino e ditam o que se faz assim que se chega lá. Um estudo da TUI Musement, a empresa de excursões e actividades do grupo TUI, mostra que quase quatro em cada dez viajantes (39%) já visitaram um ponto turístico principalmente para tirar uma fotografia ou gravar um vídeo. O inquérito foi feito pela Appinio em janeiro de 2026, com participantes de Espanha, Itália e Reino Unido.
De onde vem a inspiração para viajar
Quando o assunto é procurar ideias para uma viagem, o Google e outros motores de pesquisa ainda lideram, mencionados por 42% dos inquiridos, seguidos de perto pelas recomendações de familiares e amigos, com 41%. A diferença está na geração mais nova: entre a Geração Z — grosso modo, quem nasceu entre o final dos anos noventa e o início da década de 2010 —, o TikTok já é a principal fonte de inspiração, com 48%, ultrapassando os conselhos de família e amigos. É, na prática, a primeira geração a planear as férias inteiramente dentro do telemóvel.
O fenómeno não fica pela fase de sonhar com o destino. Mais de 43% dos participantes já reservaram uma viagem ou uma actividade depois de verem uma publicação ou um vídeo viral, número que sobe para 52% entre os millennials. Os criadores de conteúdo pesam cada vez mais nesta equação: 43% seguem influencers de viagens para decidir para onde ir, e 27% admitem já ter trocado de destino por causa de uma recomendação vinda destas contas. Há ainda 37% que confessa preferir, pelo menos de vez em quando, visitar os lugares famosos do Instagram em vez de explorar sítios menos conhecidos.
O peso de mostrar umas férias perfeitas
Partilhar faz parte do roteiro: 73% publicam as férias nas redes sociais, embora um em cada quatro prefira reservar essas imagens a um grupo restrito de contactos. Só que esta exposição tem custos. Mais de um terço dos viajantes (37%) reconhece sentir necessidade de fazer as férias parecerem mais entusiasmantes do que realmente foram, uma percentagem que sobe para 45% entre os mais jovens. E há um pormenor curioso: para 18% dos inquiridos, a obsessão do companheiro de viagem pelas fotografias e pelas redes sociais chega a ser motivo de alarme na hora de escolher com quem partir.
Mirco Fiumene, responsável da TUI Musement, resume assim o momento que o setor atravessa: "Hoje, uma única imagem ou um vídeo podem inspirar uma viagem". Mas faz questão de sublinhar que "o que realmente importa é a viagem em si" e a ligação "à essência de cada destino, através de experiências autênticas".
Para quem cresceu a planear férias com guias em papel e conselhos de vizinhos, o estudo traz uma leitura interessante: o boca-a-boca não morreu, apenas mudou de palco. A recomendação que antes vinha do café da esquina chega agora num vídeo de trinta segundos, muitas vezes escolhido pelos filhos ou pelos netos. A decisão final, essa, continua a pertencer a quem viaja — e os lugares menos famosos do Instagram continuam por ali, geralmente com bem menos filas.
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