Bárbara Bandeira faz dueto com Amália Rodrigues
Bárbara Bandeira anuncia 'Rapariga', um dueto póstumo com Amália Rodrigues que integra o novo EP 'Lusa - Ato II'. As receitas do single revertem na totalidade para a Fundação Amália Rodrigues.

Um encontro entre gerações que ninguém esperava — mas que faz todo o sentido
Bárbara Bandeira anunciou que o seu próximo EP, "Lusa - Ato II", vai incluir um dueto póstumo com Amália Rodrigues. O tema chama-se 'Rapariga' e sai na próxima sexta-feira, cruzando a voz da cantora portuguesa com uma gravação inédita da maior fadista de sempre. Todas as receitas geradas pelo single revertem para a Fundação Amália Rodrigues.
Para Vicente Rodrigues, presidente da Fundação, o resultado fala por si: "este tema é um encontro entre gerações". Em comunicado à imprensa, descreveu-o como "uma conversa cúmplice entre a sensibilidade da Bárbara Bandeira e a voz madura de Amália", acrescentando que "a inocência e a força de uma nova geração cruzam-se com a lucidez bem portuguesa a que Amália nos habituou. A Bárbara abraçou a nossa tradição, aqui num tema de Amália de estilo popular, transformando-a em algo seu, livre e contemporâneo".
"É a Amália quem apanha boleia da Bárbara Bandeira"
Quem também se pronunciou foi Francisco Vasconcelos, diretor-geral da Valentim de Carvalho — a editora para a qual Amália gravou a parte mais significativa da sua discografia. E fê-lo sem papas na língua: "O acesso à gravação do tema 'Rapariga' não confere à Bárbara um estatuto semelhante ao de Amália, aos meus olhos ninguém terá esse estatuto."
Ainda assim, Vasconcelos deixou claro que não vê aqui nenhum oportunismo da parte de Bárbara Bandeira. Bem pelo contrário: "a participação neste dueto não é a Bárbara tomar uma boleia da Amália, creio até que, num certo sentido, é a Amália e a sua canção quem apanha boleia da Bárbara Bandeira, porque lhes oferece um passaporte para chegarem a uma geração que precisa de a ouvir." Uma leitura que inverte a lógica óbvia — e que, dita por alguém da casa de Amália, tem um peso que não é de ignorar.






